Em novembro de 2001, a banda inglesa Pink Floyd lançou o CD Echoes, uma seleção de músicas de álbuns anteriores que vendeu milhões de cópias. Na época, o lançamento foi acompanhado de uma novidade: a banda estaria investindo em quatro florestas para compensar o gás carbônico jogado na atmosfera com a produção do CD. Dez anos depois, o movimento denominado Ecomusic só cresceu e incorporou preocupações ligadas à sustentabilidade do planeta. Os ídolos do Rock correm o mundo para defender as baleias e a Floresta Amazônica, para coletar fundos e alimentos para os povos famintos, para lutar contra a Aids, para pedir paz. Não que o Pink Floyd tenha sido o pioneiro nesse movimento. Antes, bem antes, houve uma manifestação em 13 de julho de 1985. Ficou conhecido como Live Aid, um show de 16 horas promovido para arrecadar fundos para a população Etiópia.
O projeto idealizado pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure pode ter sido o primeiro exemplo global da força humanitária do rock. Reuniu estrelas em espetáculos na Inglaterra e nos Estados Unidos. A televisão transmitiu tudo e as doações foram feitas por telefone. Em outros países os concertos tiveram a adesão de outros artistas. E, assim, o 13 de julho tornou-se o Dia Mundial do Rock. Outros shows de caráter humanitário se sucederam ao Live Aid, associando a defesa de boas causas à imagem de grandes astros do Rock. Essa é uma herança do Movimento Hippie, dos anos 1960, em que as pessoas só queriam paz e amor. Mas para alguns, é uma jogada de marketing, para conquistar ainda mais fama junto às platéias do mundo.
O Ecomus
ic, também está presente no Rock in Rio. Em 2004, 2006, 2008 e 2010, as exibições do Rock in Rio em Lisboa renderam benefícios para instituições assistenciais de Portugal. Em 2006, foram plantadas cerca de 20 mil árvores para compensar a produção de gases com efeito estufa durante o evento. Em 2008, o projeto Rock in Rio Escola Solar destinou fundos para a compensação das emissões de dióxido de carbono do evento e equipou escolas portuguesas com painéis para captação de energia solar. O projeto conquistou 10 mil euros no concurso Energy Globe Awards 2009 e esse valor foi distribuído a entidades sociais. Foi a partir de 2008 que o evento passou a ser 100% reciclável, com a coleta de todos os resíduos de embalagens para a reciclagem. As apresentações na Espanha em 2008 e 2010 trilharam o caminho aberto em defesa da sustentabilidade: plantio de árvores, incentivo ao uso de transporte coletivo, compensação das emissões de gás carbônico, coleta para reciclagem. O Rock in Rio divulga que em 10 anos já foram investidos mais de cinco milhões de euros em projetos socioambientais. A edição de 2011 promete não decepcionar. Inclui concurso de ideias sustentáveis para estudantes da rede pública do Rio de Janeiro; incentivo à doação de instrumentos musicais; criação de oficina para a formação de assistentes de luthiers; construção de salas de música em escolas municipais e capacitação de professores de música.
Na verdade, o que leva roqueiros a abraçar as causas socioambientais não importa. O que importa é que eles estão fazendo alguma coisa. Lucila Cano disse “A música dos Rolling Stones consagrou a frase “It’s only Rock’n Roll, but I like it”. Com tantas boas causas, a gente sabe que não é apenas rock e gosta ainda mais.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário